terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Ciclos de encontros e desencontros



Te encontrar
Olhar nos seus olhos
Sentir a vibração do seu coração
O pulsar do seu corpo
Ouvir sua voz
Sentir o silêncio das palavras faladas
Seu cheiro
Olhar o céu da cidade em uma varanda e calar-se!

Suas mãos em meu cabelo me fez perceber o quão sublime tornou-se nosso sentimento
Sinceras confissões, sinceros olhares me fizeram bem e ao invés de me despedaçar pude me encontrar um pouco mais, perceber o que quero e me inspiro através de sua jornada.

Houve uma despedida sem dor, houve uma despedida com cuidado mútuo, apesar de inicialmente expressarmos o egoísmo dos desejos.

As horas se arrastaram e em um toque houve o despertar, hora de partir e não mais partir-se
Sua imagem refletida no retrovisor, um sorriso e sua certeza de apostar, de arriscar e pagar pelo alto preço me fez admirar-lo muito mais.

Não sabes o bem que me fez, precisávamos nos reencontrar antes do término de mais um ano, sinto que algo que estava pendente se foi, ainda posso te ver pelo retrovisor e sempre o verei.

O amor é sublime e é possível amar de várias formas, diferentes corações.

Acredito, sem muita pretensão, que sou um espírito evoluído, pois entendo o que sente e o que queres, podemos tudo (qualquer coisa) e nesses encontros desencontrados ou desencontros achados somos mais que muitas palavras.

O que tenho a lhe dizer, se não que somos o que somos e ninguém mais mudará isso, estamos dentro de uma bolha e todo o resto parou para nos observar e assim o guardo em um lugar especial no coração.

Viveremos jornadas semelhantes em estradas diversas, um torcendo pelo outro na felicidade encontrada e sempre que olharmos um céu de estrelas os sorrisos virão aos lábios e nesse momento a certeza de estarmos bem.

E o que mais desejamos é estar bem.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Manhã de Natal


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Ontem a alegria da comemoração enchia nossos lábios, iluminavam nossos olhos e o calor envolvia todos nós em uma vibração de amor e união.
Hoje somos lágrimas, infelizmente as coisas acontecem sem previsões, sem avisos, sem despedidas, nos pegam de surpresa e em um sobressalto derretemos em águas salgadas.
Silenciei-me ao ouvir a sua voz pedir socorro, pedir um alento: "minha filha perdi um amigo!".

Pai, perdi um padrinho, alguém que vocês confiaram para serem pais de meu irmão e a quem eu fui adotada também, alguém que resolvia tudo, desde a política do país a economia (risos), alguém que era atencioso, carinhoso e alegre, alguém que posso ouvir a risada ao fechar os olhos e que nas feições serenas, nos braços de Morfeu ele se foi, sim, foi para não voltar. E agora a sua ausência chega para deixar a vida continuar...


quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Sinais

Comprei um livro que há muito tempo me indicaram, ele já é sucesso e virou filme, sabia do que se tratava mas não imaginava o quanto era profunda a minha ligação com aquela experiência vivida.

Começo a ler o livro no intuito de me distrair e tudo que ele me traz nas primeiras linhas é o relato da minha recente experiência.

Coincidência?! Não! Sinais que insistem em perseguir meus caminhos...

Bom...as palavras ecoaram e naquele instante voltei ao momento em que diante de ti penetrei em seus olhos cor de mel ao qual haviam me encantado em uma viajem no passado e que no momento presente não passavam de apenas um par de olhos cor de mel que me miravam atentamente enquanto o que eu só queria era ir embora, de fininho para não causar danos, pois eu acreditava que o que sentias era amor e utilizando-se deste sentimento teríamos a possibilidade de cultivar-lo de forma diferente.
Ledo engano. Triste história a partir daí...
Foi assim que tudo começou e que me quebrei em milhões de pedaços, transformando-me em uma caixa de peças soltas como um quebra cabeça, pois foram sete anos se partindo.
Árduo ano aquele em que um simples "Adeus! Não sinto mais nada por você" transformou-se em um tormento, complicações, traumas, receios e tristeza aos olhos negros que brilhavam ao sorrir. Multiplicados pelo drama de uma paixão que surgiu em meio ao turbilhão de acontecimentos e que foi embora levando um peça, deixando-me com um vazio sombrio, tomei decisões que me afastaram de qualquer entrega, tomei decisões para me defender, tomei decisões...
E agora eu cansei.
Cansei de ouvir o mesmo texto, cansei de ser para os outros, cansei de terminar da mesma forma.
É interessante como uma única pessoa pode fazer você estourar, como uma gota em um copo cheio de água pode causar uma "lambança", é interessante que muitas vezes precisamos de gotas como essa para repensar e assumir que se repetidas vezes ouvimos as mesmas palavras algo errado está vindo de você ou você é o "algo errado", então erradamente continuo a ser quem sou, recolho os andaimes de construção de pontes e reverto para fortalezas, sentirei algumas perdas, sentirei faltas de momentos compartilhados, mas só assim farei bem a mim. Cansei de ficar gripada!
Se os sinais insistem em mudar de cor para chamar a atenção, continuarei a ler este livro, ainda há possibilidade da história mudar, do rio correr mais forte e de muros caírem, mas inicialmente não buscarei estas possibilidades e nem tocarei na esperança...
Peço apenas desculpas aos companheiros de jornada, pois sumirei por um breve período e não pouparei os leitores da minha melancolia em notas de blues...

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

O papel de um espelho





Gostaria de poder entender os espelhos

Eles refletem a sua imagem e semelhança diante dos seus olhos
Mostram o que sentes, aquele sentimento enraizado no corpo que só você sabe

Quem disse?!

Os espelhos te conhecem tão quanto você conhece a si próprio
Seguem o seu movimento, invertem o sentido, complementa o que falta
Dão profundidade e continuidade no infinito

E o infinito tem continuidade?

Os espelhos podem aumentar o seu pesar dependendo da perspectiva do olhar, podem transformar lágrimas em oceanos, chuviscos em tempestades, podem penetrar em seu olhar e dizer exatamente o que queres, podem sentir apertar o peito mesmo sem te ver.

E aí?

Nada muda, pois o espelho é o seu reflexo mais profundo e insano, pode te enlouquecer com palavras árduas para esperar a sua reação ou pode te acalmar com doces palavras de carinho, pode rir de você ou te fazer crer que tudo é possível basta afogar o medo e se entregar

Ah! Sabe de uma coisa, "mode on"

Gostaria de poder entender os espelhos






Um texto roubado

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Pode invadir
Ou chegar com indelicadeza,
Mas não tão devagar que me faça dormir.
Não grite comigo, tenho o péssimo habito de revidar...
Toque muito em mim
Principalmente nos cabelos
E minta sobre a nocauteante beleza.
tenha vida própria,
Me faça sentir saudades,
Conte algumas coisas que me fazem rir...
Viaje antes de me conhecer,
Sofra antes de mim para reconhecer-me...
Acredite nas verdades que digo
E também nas mentiras, elas serão raras
e sempre por uma boa causa.
Respeite meu choro,
Me deixe sozinha,
Só volte quando eu chamar e,
Não me obedeça sempre
que eu também gosto de ser contrariada
Então fique comigo quando eu chorar, combinado?
Me conte seus segredos...
Me faça massagem nas costas
Não fume,
Beba,
Chore,
eleja algumas contravenções.
Me rapte!
se nada disso funcionar...
Experimente me amar!

Este texto é de Martha Medeiros... muito bom!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Ela ao longe




Eis que ela surgiu ao longe,
iluminada pelo Sol que esfriava no horizonte
Sapatos de saltos entre os dedos,
subia o morro em busca de algo
Uma canção melodiada pelas ondas do mar,
pensamentos perdidos preenchendo as linhas de um caderno,
enchendo
movendo
Ventos nos cabelos dos olhos negros
Composições imagináveis, construções inacabadas e coração tranquilo
Calmaria e um sorriso bobo na tela mental...

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Falar de amor em uma pausa para o café



Sentimento que toma qualquer forma, não precisa ser uma história, nem ter todas as regras de produção de um texto.

O amor pode ser uma frase, uma prosa ou uma poesia. Pode ter forma de melodia ou notas soltas em uma partitura. Pode ser uma exceção a todas as regras ou um simples brilho no olhar, pode pertencer a um ou mais corações. Nascer com você ou ser você.

Sinto ele florescer a todo momento, principalmente quando volto aqui, de dia me perco e a noite ele me guia ao mar.

De duas partes se faz um todo, mas eu sou o todo de duas partes. Posso ser a melancolia do blues ou a revolta do rock, posso ser a beleza da música erudita ou uma louca música eletrônica, posso ter a batida ritmada nos pés ou se perder nas mãos, posso transformar tudo isso em cordas de um violão velho largado no canto do quarto somente para alimentar a minha alma de artista.

Pinto o que desejo ver e mesmo em preto e branco ainda vejo a beleza com riqueza de detalhes e expressões. Sinto, e no sentir, sem quem sou. Mergulho nas janelas de meu espectro e no meu avesso desavesso.

Posso não pertencer a ninguém, e sem ninguém pertenço a mim.
E se minha voz não faz marcas faço com as palavras que escrevo e desenho letras partilhando com qualquer um.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Relativo tempo



Quanto tempo que não volto aqui

A maré cheia
Os passos do chinelo arrastando a areia da calçada
O voo rasante dos pássaros
Os repetidos cânticos da labuta diária
Os sotaques ao vento
Os bancos solitários

Quanto tempo que não volto aqui

Os veleiros deslizam na correnteza
Os enamorados aguardam o pôr do Sol
Os consumistas de pensamentos, pensam
As cinzas caem em respostas

Há quanto tempo volto aqui

O contra luz mais fotográfico que conheço
A doce água das árvores de copas esguias
O cheiro da maresia com dendê
Poesia

Há um tempo em que volto aqui
E não volto por muito tempo

domingo, 5 de dezembro de 2010

As palavras que não falei



Faltou-me forças de transformar pensamentos em fala
Em cada olhar eu te penetrava e me misturava a ti

Derreti
Dissolvi

Me senti sua e naquele momento completa
Me embaralhei e busquei respostas
Com o delicioso pecado as horas se foram e a coragem partiu em pedaços pequenos

Parei!

As palavras tornaram-se confissões de fim de tarde, preciso lhe falar, te olhar nos olhos e dizer:
- Aconteceu!
Não resisti e me permiti
Envolvi e agora tudo mudou
Preciso ficar e você partir
No carro ouço canções que refletem meu pesar.
O sol ainda alto busca a melancolia do se pôr
Chego ao cargueiro de olhares tristes e os vejo partir a todo instante, dentro de mim um único desejo...ser mais uma passageira
Quero você na minha vida, não importa em que posição
Te deixar é uma aflição necessária
Precisa se encontrar, pois em algum lugar se perdeu e eu te permito, emito seu passe e espero que volte que seja para mim ou para outra pessoa
Um dia quem sabe o terei inteiro, assim como a música o tem
Você é especial em minha vida, ficou e me ajudou, mostrou-me que posso, que tenho confiança, que sou quem sou
Em mim despertou a pérola que adormecia empoeirada e sem brilho, você a poliu

Injustas duvidas, perigosos riscos e caras apostas

Quando a razão não tem o que fazer se mete onde não é chamada, constrói muros prendendo um coração solitário desejoso a construir pontes
E assim se fez os primeiros dias do fim de uma passagem, e no fim encontram-se começos, e no meio encontramos caminhos para iniciar tudo de novo.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Meu espelho não reflete mais

Foto: Carla Palmeira

Espelhos são reflexos das suas formas mais complexas
Sejam côncavos ou convexos
Para muitos, encará-los torna-se um tormento
Mas para mim um alento
Espelho espelho meu vejo em seus olhos tal sofrimento
Embaçado com a mudança de tempo
O choque do calor que consome seu corpo com frio da despedida
Rosas coloridas são assim, oras delicadas oras oras
Vejo a estrada refletida e no reflexo a minha imagem se foi
Boa viagem espelho de risos e volte logo para os braços daquela que traz um pedaço de ti
Pois em você está minha imagem e aqui procurarei deixar um pedaço de mim
Cuida-te por que só assim saberei que cuidados terei a mim
Decisões importantes pede aflições constantes
Sem alimento na alma, definho em dúvidas
Só nós sabemos o valor de estarmos sós e seguir adiante
Volte, para eu poder contar que um dia tive muros e agora construo pontes
Um dia terei esta certeza a refletir...pois a sua certeza de pontes te liga muito mais além...parabéns!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Pensamento do dia rsrsrsrs

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"Eu sou o tipo de mulher que quando meus pés tocam o chão a cada manhã, o diabo fala:
- Oh Droga, ela acordou!"

(Anônimo)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Saudosas despedidas, duras decisões

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Amanhece cinza

Lava alma

Janelas se fecham e atrás da cortina estão os olhos negros opacos de ansiedade

As horas passam no tic tac do relógio na parede

Os carros correm e o Sol desperta
Asfalto quente derretendo meu ser


Cinzas de pensamentos ficam para traz na batida dos dedos e no círculo das duplas gêmeas sou levada para um único lugar, lugar em que corações solitários formam um oceano de águas doce com o salgado gosto das lágrimas


No rádio é inevitável as melodias tristes, porque tristes versos quando se tem harmonia em uma canção?


Saudosas despedidas, duras decisões


E no horizonte me vejo partir, no barco dos pensamentos puros, lapidados pelo tempo

A força da água me faz perceber a inconstante duvida da posição que ocupo. Abdiquei dos para-quedas pois sentir a adrenalina da queda é muito mais emocionante do que planar


Saudosas despedidas, duras decisões

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Morfeu foi embora

Foto: Carla Palmeira


No meio da noite, a meia noite, o vento sopra na janela queimando em brasa e consumindo meus pensamentos.

Não sinto culpa, mas sinto angustia, a solidão fugiu com medo de mim e eu me perdi.

O silêncio da rua aflige o meu ser, olhos vão ao céu e entre nuvens o brilho partiu, as respostas sumiram, apenas a melodia sem ritmo e a linha tênue e constante do ventilador acompanha o emaranhado de decisões indecisas.

Tontura

Tortura!

Sinto falta! Posso ser capaz de entender os corações solitários, mas o meu solitário coração é incompreensível.

A sede de viver plenamente não cabe em uma garrafa de água, a sede determina a intensidade e a duvida que me acompanha nesta jornada.

Desvencilhar de ambiguidades é quase impossível, aceito ser ferida e sangrar em tristeza, pois tenho coagulantes que cicatrizam sem levar ao óbito, possuo o controle sobre mim e deixo desaguar o salgado gosto das lágrimas, mas não tenho o controle de curar corações partidos.

Rolo na cama, procuro seus braços para assim me entregar em sono profundo e logo hoje você se foi. Acredito que poderá estar por aí disposto a abraçar corpos que se rendem ao fascínio de adormecer.

Tentarei, pois é o que tenho feito.

Boa noite corações solitários e aflitos assim como eu.

domingo, 28 de novembro de 2010

Declaração de uma pérola

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Sei que está por aqui, cobra-me o livro que abandonei e me presenteia com reencontros, noticias de longe e resoluções em minha jornada.


Solicitei sua ajuda e fui agraciada, a rotina de olhos marejados fez-se esse mês, pois busquei a mim e você estava lá, minha alma gêmea, o anjo de asas douradas e de olhos dengosos.


Te sinto e sei que me vê sem poder me abraçar, sofres e eu também, podemos nos encontrar em um plano astral, nos sonhos em que tudo pode acontecer.


Amo-te como nunca pude amar ninguém, você era meu plano, você era minha vida e agora vivo pelo meio sobrevivendo, aceito esta formula sabendo que nos reencontraremos...

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Quero me deixar



Ir embora.

Neste exato momento é o que passa em minha mente, a necessidade de sair e me deixar para trás poderia ser a solução de começar tudo de novo.

Acredito que estou chegando onde passei a vida toda procurando, os sinais estão mais latentes e o que impede é a coragem, sentimento que sempre tive dentro de mim e que se perdeu por aí.

A briga está intensa entre o coração e a razão. É difícil para uma pessoa pensar em si quando se cresce pensando nos outros.

As lágrimas é a maior expressão de dor pois não tenho voz para gritar, uma proposta está corroendo meus dias, uma proposta interna, uma proposta que se aceita não terá volta, não poderá ser apagada e reescrita.

Sofrendo antecipadamente acredito que é a melhor decisão a ser tomada, aproveitando a distância dos olhares, da voz e das palavras repenso em nós e a decepção em mim por sempre começar e me abandonar no meio do caminho. São dois seres em desenvolvimento, um tentando se encontrar e o outro tentando se aceitar. Tenho segurança no que penso, no que quero, no que desejo, onde quero chegar e todos os caminhos mostram que a solidão é a minha melhor companhia. Peço que me provem ao contrário, mas ainda não conseguiram...as mãos tremulas, os olhos marejados e um aperto no peito bloqueiam as palavras daqui para frente.


quarta-feira, 10 de novembro de 2010

O mundo que resolvi não olhar e agora abri as janelas



Todo fim de tarde é triste.

O crepúsculo tem um tom de despedida.

Vi você caminhar e em um olhar me despedir sem você ver, a bela composição tornou-se melancólica.

Ao seguir para o embarque percebo que os aviões são cargueiros de olhares tristes, pois estão sempre a partir, alguém fica e alguém leva saudade.
Sair naquela tarde foi reencontrar-me mais tarde, estou diferente para mim. O cargueiro de olhares tristes levanta voo e no cair do dia pauso a minha leitura, a criança gruda na janela e enxerga os floquinhos de nuvens em um colchão e um bilhete cai ao chão, nele recebo um recado: "A origem dos nossos males está na comparação".

Para os sonhadores como eu, sempre olhamos o céu afim de encontrarmos respostas, desenhos em nuvens ou no bailar dos pássaros. Estou no céu! E agora me encontro pelo olhar daquele que nos vê diariamente, vejo desenhos em nuvens e o bailar dos pássaros, curtindo as mesmas sensações. O barulho constante das turbinas compõem meus textos até o momento em que não as ouço. Levanto o olhar e um manto de nuvens brancas é estendido, o Sol nos guia para o destino escolhido, aos poucos percorro esse mesmo caminho de diversas pessoas para chegar a algum lugar.

O Sol pela janela desenha no mar formas indescritiveis. Abaixo de nós uma bacia de águas azuis e acima chumaço de nuvens, a cada momento mais distante de tudo os pensamentos ficam soltos, lembranças são guardadas e o tempo a sós são momentos de reflexões. Aceitei minhas imperfeições e identifiquei os meus males.

Estou chegando! Das janelas vejo o laranja derramar-se sobre o branco das nuvens que se completam com o azul do céu, misturando-se em um degradê de despedidas sem fim.

E ao terminar o capítulo ouço:
"Sou o que penso?"
"Sou o que vejo?"
"Meu corpo é do tamanho do meu olhar?"
"Os olhos do poeta tem braços que vão até as estrelas"

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Percepções - Cheia

Pintura: Sandro Botticelli (cerca de 1485)


Encerramento de um ciclo?

Sem expectativas, só a certeza de que tudo aquilo fazia parte de mim.
Lá do alto eu podia sentir a energia emanada, descíamos por uma estrada de barro, tudo escuro, os faróis iluminavam apenas três passos a frente e éramos cercados de árvores frondosas.
Quando meus olhos tiveram a oportunidade de enxergar além da escuridão, pude observar um vale que era iluminado pela clareira da fogueira, que queimava ardentemente todos os desejos ocultos de encerramento de um ciclo e os meus viraram cinzas...
O círculo sagrado já estava formado para reverenciar a Grande Mãe e as chamas das velas iluminavam as nossas posições que inevitavelmente éramos acompanhados pelo nosso animal.
A Lua com sua beleza imponente nos recebeu em um céu límpido ao som harmônico das quedas d'água que nos circundavam e totalmente tomada por essa energia deixe-me levar.
Sonhos reveladores, perguntas com respostas definitivas e na introspecção da volta pude consagrar na taça rubra o meu silêncio e foi ele o meu companheiro de retorno ao mundo. Muitas outras perguntas fizeram parte da minha bagagem, com apenas um detalhe: A PERCEPÇÃO... Percebo-me outra mulher, outro espírito, outro ser, percebo-me filha de quem sempre olhei distante e hoje a pertenço.

"Que assim seja e assim se faça"

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Deixei de pensar, só não parei de existir...

Foto: Paulo Henrique - 8 anos


Vejo na linha do horizonte os primeiros entrelaçares das letras que formam frases e que determinam sentimentos, na espuma das ondas vejo a borracha borrar as marcas na areia e o meu vazio transforma-se em oco sem eco.

As páginas em branco são folheadas afim de serem preenchidas e os dias vão seguindo.

O que parece ser complicado torna-se fórmula de matemática para ser desvendado e os problemas sem solução tornam-se solúveis em água salgada que as janelas da alma derramam em um quarto escuro.

Deixei de pensar, só não parei de existir
Posso tentar diversas vezes
Parar? Não!
Deixar de pensar e continuar a existir


domingo, 17 de outubro de 2010

Solitude



Quantas pessoas sozinhas existem no mundo? E será que neste mundo ao qual faço-me pensar, escrever e viver, alguém tem as mesmas indagações?
Quantas pessoas sozinhas estão pensando em sua solidão?

Se olho para o céu e pergunto porque estou aqui, ele não terá a resposta.
Se deito com a luz do luar e as estrelas aparecem no tilintar da escuridão, a sua melodia não dirá porque a cama encontra-se vazia.
Se resolvo, em um momento, não acordar, em meus sonhos virão pistas para achar uma resposta para minhas aflições.

Minha jornada só está começando e quando eu voltar pretendo continuar andando, sem decisões precipitadas irei "levando" e quando esmorecer...volto ao ponto onde posso me reconhecer.


sábado, 16 de outubro de 2010

Percepções - Crescente

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Purifiquei o corpo e a mente, corri para o seu encontro.
Meus olhos percorreram a imensa capa preta que cobria minha cabeça a procura dela, segundo uma amiga, naquele dia, a Lua era "o sorriso de São Jorge".
Quando encontrei aquele brilho inconfundível em meio as nuvens pude enxerga-la, a divindade quase que nitidamente, seu perfil era sublime, o seu semblante era tranquilizador e enquanto as nuvens iam desvendando seu mistério ao passo das minhas palavras, pude sentir-la em mim.
Uma conexão energética indescritível.

Algo mudou em mim...

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Feliz Dia das Crianças!


Leilão de Jardim - Cecília Meireles

Quem me compra um jardim com flores?

borboletas de muitas cores,

lavadeiras e passarinhos,
ovos verdes e azuis nos ninhos?

Quem me compra este caracol?

Quem me compra um raio
de sol?

Um lagarto entre o muro e a hera,

uma estátua da Primavera?

Quem me compra este formigueiro?

E este sapo, que é jardineiro?

E a cigarra e a sua
canção?

E o grilinho dentro
do chão?

(Este é meu leilão!)

"Penso que para alguns, por muitas vezes, a doçura endurece ao passar dos anos, não pela idade que completamos ou pelas rugas que ganhamos, mas pelas mágoas que vivemos ou por dores que sentimos." (Carla Palmeira)

sábado, 9 de outubro de 2010

Percepções - Nova

Hoje, inauguro um novo ciclo, hora de escolher o que plantar para semear posteriormente, novos ciclos e diversas mudanças, do pó virei a tona e farei tudo diferente, nenhuma decisão a ser tomada, porem muitos planos, ideias que vão se desenvolvendo no imaginário e ainda não são um fato real.

A calma preencheu meus dias, o desprendimento de muitas coisas vinheram a tona, conversas em um café me fez repensar neste momento e nas oportunidades que estão sendo mostradas, no valor que tenho e que evito enxergar, nas palavras que ouço e que não me faz bem e mesmo assim as ouço, na certeza que energéticamente podemos ter irmãos de vibrações intensas e na mesma harmonia.
O dia de hoje surpreendeu, ouvi palavras por telefone que não esperava e estas sim me fizeram sorrir, ser importante para alguém que nunca imaginei, resumindo, estou lisonjeada...


quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Percepções - Minguante

É incrível a influência da Lua, vivo suas fases intensamente.
Quando estamos minguante vejo a possibilidade de expurgar o que incomoda, tiro a poeira, arrumo a cabeça e vejo o lixo encher. Ao fim deste ciclo de sete dias fecho o saco e traço o seu destino na possibilidade de encerrar e firmar o que eu
não quero.

Essa semana algo explodiu dentro de mim, falei tão alto o que estava engasgado na garganta que chegou a abalar algumas estruturas, foi um grito pela liberdade, foi um grito de dor pelo peso que carrego e como todo grito ecoado restou o silêncio e a reclusão. Estou prestes a entrar em auto combustão, procuro minha pira funerária e nela transformarei-me em cinzas...



domingo, 3 de outubro de 2010

Ontem recebi uma mensagem e a angustia tomou conta de mim...quem é você?

Desenho: Carla Palmeira


Não é um dom, mas as imagens e as palavras surgem como projeções na solidão dos pensamentos. O lápis torna-se tradutor de tanta sensibilidade que transborda do tanque de emoções, a música dá o tom dos movimentos desta dança sem par, pois no extremo consigo externalizar através da arte que habita em mim.

Neste momento calo-me diante de tanta energia emanada, sinto as mãos tremulas de tal forma que não reconheço minha letra, o sangue em meu corpo corre devagar e as pontas dos dedos vão ficando geladas, a visão embaçada me traz simultâneamente visões de mundos diferentes. Posso ver o tempo correr.
Um enjoo momentâneo traz o gosto de sangue a boca e sem controle sob o meu corpo acelero as palavras no intuito de encerrar algo que agora está sem o menor sentido, uma pausa de alguns minutos e o telefone toca conseguindo me resgatar de um transe consciente, olho-me no espelho e não me vejo, pupilas dilatadas tento retomar ao fim do expediente e descobrir quem é você.


02.10.2010 às 17h40

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Sentada em um muro a beira mar lembrei-me de uma história com significados reais, personagens fictícios, sem moral e sem final...

Foto: google imagens


Andava diariamente por aqueles mesmos bosques, floridos e árvores verdejantes, nada lhe faltava, até chegar aquela noite tempestiva quando recebera a noticia que viria abalar o seu castelo. Da janela do quarto ela olhava a estradinha sinuosa de barro que as pedras desenhavam e mesmo com todos os acontecimentos ela aguardava o relinchar de um cavalo branco anunciando a chegada daquele que a tiraria da fortaleza que construíra.

Desistiu!


Como plebeia, ela se disfarçou, e em uma aventura deixou-se levar, uma viagem longa, com carruagens quebradas, fogueira ao relento a espera de socorro, vinhos e o cheiro inebriante do fumo da caipora que os observava.

Ela não estava só...e assim persistiu, pode ser aquilo que nunca fora, descia do pedestal da perfeição para buscar o imperfeito que habitava dentro dela, acreditou que pela primeira vez seria para todo sempre.

Não foi!


Os sonhos foram se dissolvendo, os planos deixaram de ser pensados evitando frustrações e tudo fora levado de maneira que se não der certo é porque tinha que ser assim.
Depois de tantas decepções as apostas ainda são feitas, mas o cansaço tenta dominá-la, a paciência se esgota e as tentativas ficam escassas.

Convencê-la?! Dá um imenso trabalho.


Até o momento ela continua de plebeia, mas nota-se que somente na aparência ela consegue manter esse "status", pois sua gentileza está enraizada, a sua simpatia e magia dividi-se e misturam-se entre um olhar e vários sorrisos.

Todos crêem que ela costuma guardar algo especial.

Algumas vezes a vejo por aí, vagando em busca de algo, ouço rumores de que queres voltar a planejar e que frustrações fazem parte, mas felizmente ou infelizmente são apenas visões, são apenas rumores...



sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Soluços

Foto: google imagens


Meus lábios secos respondem sedentos desejando os beijos ardentes que me dera algum tempo atrás.
O calor desértico ferve internamente o sangue que circula em meu corpo, as mãos gélidas aguardam a provocação dos seus toques.
Sinto frio e a contradição das sensações faz com que eu não enxergue outras janelas, e para que outras janelas se tenho o que quero nas tuas.
Em diversos momentos a dúvida ronda meus dias, são minhas e por serem, eu as tenho, possuo e aprendo a agir. Pela primeira vez dou passos comedidos, pela primeira vez a intensidade é controlada e pela primeira vez sinto.
Deixo o nosso momento me levar e na liberdade encontro o prazer do respeito e da compreensão. Já estive na prisão e é um lugar em que voltar será impossível, já abdiquei da realidade para viver o mundo na virtualidade e ser disposta e integral para aquele que acordava ao meu lado.
Consenti e deixei de sentir e hoje posso voar, sentido a brisa no rosto, o sorriso nos lábios, o sangue a ferver, o frio na barriga das rédeas soltas prestes a perder o controle do desconhecido, as primeiras sensações com terceiras intenções, o brilho no olhar e as cores do luar.
Tudo que quero e desejo
Entre espasmos repentinos e involuntários os pensamentos vão e vem, os questionamentos vão e eu aguardo que os "soluços" inofensivos desapareçam espontâneamente em alguns minutos, deixei de procurar a água para me ajudar, inconscientemente me ocupei em demasia, mas os amigos desenharam no mapa as fontes no caminho, irei procurá-las e assim poderei solucionar a indigestão que causa os meus soluços.

domingo, 19 de setembro de 2010

Aprendendo =)



Se você quer um pouco de mim
Só deveria esperar
E caminhar a passo lento
Bem lento
E pouco a pouco esquecer
O tempo e sua rapidez
Frear o ritimo
Ir bem lento
Cada vez mais lento

Ser dedicado e esperar
Quero tempo pra te dar
Tudo o que eu tenho
Ser dedicado e esperar
Quero tempo pra te dar
Tudo o que eu tenho

Se quieres so un poco de mi
Da me paciencia e veras
Sera mejor que andar corriendo
Levantar vuego

E pouco a pouco esquecer
O tempo e sua rapidez
Frear o ritimo
Ir bem lento
Cada vez mais lento

Ser dedicado e esperar
Quero tempo pra te dar
Tudo o que eu tenho
Ser dedicado e esperar
Quero tempo pra te dar
Tudo o que eu tenho

Si me hablas de amor
Si sua vida es mi vida
Restare mas tiempo sen saber que siento

Ser dedicado e esperar
Quero tempo pra te dar
Tudo o que eu tenho
Ser dedicado e esperar
Quero tempo pra te dar
Tudo o que eu tenho

terça-feira, 14 de setembro de 2010

I'll be back soon

Foto: Ade

Posso parar diversas vezes e mesmo assim é tentador ver o cursor na tela em branco piscar e aguardar meus comandos quase que involuntários de registros de uma mente insana.
Sim queridos companheiros de jornada, ultimamente estou em um Furacão de questionamentos, quando resolvo falar a minha voz ecoa e se propaga de uma forma que enlouqueço, passo horas tentando construir formas de me livrar de fantasmas que me perseguem, desconstruir estereótipos. A verdade é que quando se perde a razão de estar em algum lugar não é hora de se mudar, é hora de olhar para si, chega de espelhos, não quero olhar o meu reflexo, preciso entender algumas razões e a certeza de não ser mais auto suficiente me assustou nestas ultimas semanas.
Por esse motivo preciso parar, não de caminhar, mas de arrumar a mochila toda vez que isso acontece.
Estou sem ideias, vejo o meu barco correr rio abaixo e da margem eu aguardo o sol se pôr e a noite cair. Dei o primeiro passo, mas ainda estou presa sem poder navegar.
Então, volto em breve. Sintam minha falta, porque eu também sinto.

Até breve!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Quando algo vai mau, o que você faz?

Foto: Carla Palmeira


São determinados períodos que acontecem, são sinais do corpo que tentam chamar a sua atenção para algo que vai mau e então você escolhe ignorar os acontecimentos e usa paliativo como afundar em trabalho e ocupar cada espaço de tempo, permitindo cobrir o espelho para não deparar com a janela de sua alma.

Mesmo sabendo que esta escolha te levará para um lugar íngreme, tal como a ponta mais alta, onde o ar é pesado, onde a neblina é densa e onde formações de nuvens deixam o céu cinza e a paisagem sem cor, mesmo assim você insiste e vai.

Em um determinado momento, sozinho, você consegue pensar em você e aí explode, lágrimas são como chuvas de inverno, não param de cair até que consiga alagar.

Sei que agora chegou o momento, o pedido de socorro foi escrito e em conjunto há uma mobilização em prol do crescimento e do auto conhecimento, são dez anos negando, são dez anos dizendo não haver tempo e agora?!

Bom...Após tantos ciclos chegou o momento de retomar o controle, tirar você daquela caixinha e começar a mostrar o mundo aqui fora, chega de arrumarmos a mochila quando algo acontece, só arrumaremos quando for para fazer acontecer.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Vivendo meu inferno astral


Olho ao meu redor em busca de respostas, são tantas perguntas em minha mente que fazem do meu dia um silêncio de palavras escritas.

Sinto-me estranha, é como se alguns lugares não fizessem parte de mim, é como se eu fosse duas pessoas diferentes, não me reconheço diante do espelho. O meu reflexo lentamente se afasta e a cada vez mais distante, fico impossibilitada de escutar o que tem a me dizer.

Sinto dores das mazelas de um coração com cicatrizes irreversíveis, ouço vozes depreciando o meu estado de espírito, respirar torna-se uma missão quase impossível, a melodia decadente de alguém que sofre é soprada pelo vento frio que entra pela fresta da janela e inebria o ambiente embebedando o meu ser, a visão turva dificulta a formação de um texto conciso.

O céu está cinza e lentamente a chuva cai no mesmo ritmo que as lágrimas escorrem em meu rosto, hoje a introspecção me levou para um quarto escuro e sem enxergar agucei o que me incomoda, dei vazão aos pensamentos engavetados, pensei como se hoje fosse o meu penúltimo dia e sofri, pois senti falta de muita coisa em mim, meu resgate está sendo difícil, este ano completa 10 anos de buscas intermináveis, de planos que foram jogados fora, de cursos dos rios que foram modificados, de pontes construídas que não levam a lugar nenhum.

A areia do tempo corre na ampulheta e eu estou a observar, preciso partir antes que eu seja engolida pelo meu próprio pezar, preciso voar para sentir a brisa em meu cabelo, preciso sentir o brilho do sol em meu corpo, preciso ver a lua nascer, preciso ouvir o mar em uma noite estrelada, preciso enlouquecer, preciso me descontrolar, o trem já está andando e nas estações tento achar as respostas e até o momento não as encontrei, mas a vontade de saltar é grande, correr o risco de cair perturba meus dias silenciosos.

O meu inferno astral já está chegando ao fim e com ele a introspecção partirá, deixando resquícios de uma turbulência emocional e ainda assim não sei o que fazer...


segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Everybody Hurts - R.E.M



When your day is long
And the night the night is yours alone
When you're sure you've had enough of this life
Hang on

Don't let yourself go
'Cause everybody cries
And everybody hurts, sometimes

Sometimes everything is wrong
Now it's time to sing along
When your day is night alone (Hold on, hold on)
If you feel like letting go (Hold on)
If you think you've had too much of this life
To hang on

'Cause everybody hurts
Take comfort in your friends
Everybody hurts
Don't throw your hand, oh no
Don't throw your hand
If you feel like you're alone
No, no, no, you're not alone

If you're on your own in this life
The days and nights are long
When you think you've had too much of this life
To hang on

Well, everybody hurts
Sometimes, everybody cries
And everybody hurts, sometimes
But everybody hurts, sometimes
So hold on

domingo, 5 de setembro de 2010

Sou diferente e ponto!

Foto: Google imagens


A cada dia me reconheço um pouco mais, deixo de ser hipócrita para realmente acreditar e aceitar que sou diferente.

Gargalhadas pausam meus pensamentos quando relato isso, pois da minha mente vem as imagens mais loucas e alucinantes do que é ser fora do comum, dedos a mais, olho na testa, braços extras, entre outras insanidades. Bom, voltando ao confessionário, sei que a razão me pertence em poucos momentos, mas a emoção é pura e intensa, e por esse motivo dissolvo em amor, diluo em lágrimas, transpiro raiva quando tenho motivo, arranho a garganta nos gritos engasgados e brilho em sorriso.

Ai caramba! Eu sou assim e isso não me incomoda, pelo menos hoje em dia (risos). Sei que assusto e sinceramente não sei em que ponto faço isso, é uma ação inconsciente e desprentesiosa. Convivo com essa miscelânea de reações, mas me permito desacostumar diariamente, desprogramando os medos que aparecem quando tudo é indicação de um "déjà vu".

É difícil encontrar alguém que seja desprendido de possessividade, é difícil encontrar alguém que possa perdoar no coração os erros, é difícil encontrar alguém que sinta uma inveja não prejudicial, é difícil encontrar alguém que te apoie em todos os sentidos, é difícil encontrar alguém que pense no coletivo. Não sou perfeita e nem possuo todas as qualidade 100% do tempo, sou um ser humano e nesta classificação eu erro, tenho sentimentos ruins também, somos o Yang e o Ying e um só corpo, às vezes no equilíbrio, onde tento me manter a maior parte do tempo e às vezes descompensados (risos).

É isso! Repito que sou imperfeita, pois gosto desta posição, desagradar de vez em quando é muito bom, decepções existem para podermos encarar a realidade de termos defeitos e assim lapidamos para encontrarmos a beleza de ser somente essência e enquanto eu acreditar nas pessoas, apostarei, porque vale a pena.

Sou diferente e ponto!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

A própria arte

Foto: Google imagens

Respiro inspiração e expiro palavras
Desenho desejos e sorrio paixão
Enxergo o colorido de Monet em tons pastéis quando a tarde cai
Ouço a composição de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli quando "o barquinho" ronca em alto mar
Vejo as figuras de Caribé que acenam do alto do farol, dançando contra luz entre um vendendor de coco e um transeunte baiano tilintando os seus colares

Sinto o cheiro do mar na mistura do aroma do acarajé
Sinto a vontade de cantarolar no batuque da capoeira
Sinto vontade de sumir nesta imensidão do mar e nela dissolver em amor para nunca mais voltar

E a cada minuto que o astro rei despede-se do hoje para despertar amanhã, nunca do mesmo jeito, sempre diferente, mas da mesma maneira, consigo despertar sensações e me pego a pensar por quantas vezes estive aqui, por quantas vezes sento neste mesmo lugar e olho o horizonte, como se todos os dias fosse uma despedida sem fim

Não me vejo impossibilitada de ver o mar
Não me vejo sem poder sentir o seu cheiro
Não me vejo sem ao menos banhar em ti e me perder em suas águas

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Quando



Foto: Carla Palmeira


Quando se tem muito a dizer e as palavras não conseguem se organizar
Quando um sorriso tímido nasce no canto dos lábios e cresce por um único pensamento
Quando uma melodia toca tão fundo que parece despertar as borboletas adormecidas no estômago
Quando tudo torna-se colorido e é perceptível as linhas perfeitas do arco íris
Quando o olhar se perde no horizonte e segue o pôr do sol
Quando o tempo se arrasta só para "sacanear" o desejo de ter e ser
Quando e só por um momento, adormeço pensando
Posso ter a certeza que vale a pena, só pelo simples fato de poder ter o prazer de sentir tudo de novo de forma diferente
De cores vivas
De melodias ricas e rimas pobres ou vice versa
De arte ou de diversão
De amadurecer ou se infantilizar
De poder calar e apenas observar
De sentir e vibrar
De ouvir e sorrir
De curtir e esperar e calmamente colocar os passos em ordem, sem planejar, sem pensar no que será
Somente desejar

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Cada arte guarda o segredo de sua existência

Foto: Ade_Zeus

Adoro quando me perguntam o que cada desenho gravado em diferentes partes do meu corpo significam para mim.

Gosto de "filosofar" sobre o "por quê" de cada detalhe da minha vida, para aqueles que desejam ouvir, pois cada ciclo vivido é recheado de aprendizado e consequentemente crescimento pessoal.

Lembro-me bem que eu era diferente desde criança, não me achava especial por isso, hoje tenho outra ideia, sempre menosprezei meu potencial, mas tenho melhorado bastante (risos).

Para uma criança de 7 anos os desenhos da Disney eram tudo, naquela época, para mim também, porém muito melhor eram os filmes clássicos em preto e branco ou os musicais, poderia citar infinidades de filmes que amava, mais o papo hoje não é esse, fica para a próxima...

Bom, pulemos para os meus 15 anos, debutante rock in roll (risos), totalmente rebelde, sem festinha com valsa, sem sapato de salto e sem vestido rosa, totalmente de preto, algumas mechas azul no cabelo, um coturno para completar o estilo e minha linda avó pedindo que eu colocasse uma roupinha mais clara...tsc tsc tadinha! A única coisa que eu queria de presente era a autorização dos meus pais para minha primeira tatuagem...não consegui, nem fazendo a carinha do gato de botas.

Esperei três longos anos, mas valeu a pena, aos 18 anos passei por uma experiência extraordinária de autoconhecimento, reclusa durante 7 dias pude reviver e trabalhar os meus pesadelos e quando voltei desta viagem fiz a primeira tatoo, um ideograma japonês que significa uma etapa no meu crescimento, CORAGEM. Quando ouvi a maquininha zunindo perto do meu ouvido, tive a certeza que pelo menos mais algumas viriam completar minha coleção de arte.

Quando meu irmão viu, enlouqueceu, queria uma também, eu cheguei a desenhar para que ele fizesse, eram asas de um anjo em tribal, infelizmente ele não chegou a fazer, foi embora antes, demorei mais sete anos para poder fazer a segunda tattoo e já tinha em mente o que eu queria, dois anos após a sua partida ganhei um presente, meu filho, aí só tive a certeza de que o desenho era perfeito para os dois, tatuei um ANJO.

Passaram-se alguns anos e resolvi trazer algo que começava a florescer em mim, a Deusa a quem eu sempre segui, a que eu inconscientemente saudava todas as noites, a Deusa que me inspira até hoje em grandes dificuldades, tatuei a DEUSA DA LUA CRESCENTE, Diana, a guerreira, a caçadora e que ao mesmo tempo, consegue ter a beleza delicada e serena.

Devido algumas transformações decisivas na minha história, sentia a necessidade de fechar um ciclo. Gritar palavras não fariam os mesmos efeitos do que suportar a dor de transformá-la em imagem, ressurgindo das cinzas, começo a parte de um dos desenhos mais representativo neste momento, a FÊNIX...

E assim são os ciclos, sempre ímpar, pois o par é a perfeição e o perfeito é a nossa eterna busca, ou seja, virá mais uma, não sei quando, não sei como e nem sei o que...





domingo, 15 de agosto de 2010

Em queda livre

Foto: Google imagens


Sem nenhuma instrução entrei naquele avião bimotor, o barulho ensurdecedor fez com que eu ouvisse apenas o que ocorria dentro de mim.

Coração acelerado, respiração ofegante, vontade de falar milhões de coisas, a expectativa de que tudo dê certo e uma interrogação enorme de como saber, se a etapa do treinamento eu faltei? Será um pulo sem instrutor, nos filmes parece fácil, as imagens vão e voltam e junto, o monstrinho "medo" tenta boicotar a velocidade dos acontecimentos, induzindo a arrumar a mochila diversas vezes.

Pronto! O avião decolou, não há volta, para chegar a terra firme novamente somente pulando. Tanque cheio e o avião sobrevoava o mar, uma imensidão entre o verde e o azul, enigmática e que ao mesmo tempo transmitia paz, o céu claro embelezava qualquer dia cinza e sentada, eu aguardava o comando, dentro do avião, somente eu e o piloto.

Em alguns momentos o piloto desligava os motores para sentir a adrenalina de planar em silêncio, agarrada a porta do avião, não racionalizei, me joguei em queda livre.

Sinto a pressão, os ouvidos tampados, o coração acelerado, o sangue correndo nas minhas veias, o passado em preto e branco projetado diante de mim e a sensação gostosa de estar voando.

O relógio marca o tempo, e o que parece uma eternidade corre em segundos muito mais rápido.

Estou em queda livre, me avise se devo puxar a corda, e só assim deixo de cair para começar a planar...

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Quando se tem o que contar

Foto: Sonia Nepo

Viver

Ter a sabedoria de envelhecer, a beleza das linhas que contornam seu rosto, a alegria de superar as dores, a descoberta de si a cada etapa é uma dádiva.

Saber aproveitar os momentos, agradecer diariamente por estar vivo e fazer do dia o melhor que possa ter.

Queridas "meninas de Lucinha" a satisfação de registrá-las e eternizá-las em uma foto, de mostrar que são belas na plenitude da vida me engrandece como pessoa, me realiza como espírito, me satisfaz como alma e me enobrece, a emoção de conhecer cada história, de saber dos seus medos, dos seus desejos, das suas frustrações, das suas alegrias, coloca-me em um patamar de pessoa privilegiada em poder ter ouvidos sadios para escutá-las.

Obrigada por existirem em minha vida...









segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Por que o pouco que quero é muito?

Foto: Google imagens


Uma das minhas maiores imperfeições aflorou ao acordar.

Os hormônios gritando, resolveram organizar uma rebelião e o resultado deste conflito no primeiro dia de guerra trouxe inúmeras consequências ao estado de humor ao qual me "desencontro".

Sensibilidade a flor da pele. Acordei com raiva, passei a manhã agarrada ao meu pequeno príncipe porque a carência havia colocado a raiva de castigo, no fim da manhã, embaixo do chuveiro, a carência saiu correndo, vai ver ela tem medo de água fria, deu lugar a impaciência, que com alguns exercícios: "cheire uma rosa e sopre uma vela..." Ufa! Ficou bem pequena e o silêncio se fez.

Cheguei! Em alfa?! Não! Cheguei ao trabalho sem emitir nenhum som, tudo na rua era cinza.

Cafezinho no intervalo, passeio no shopping com meu pai e uma vontade de chorar. Colocar em prática o que estou fazendo neste exato momento...chorar palavras, chorar sentimentos, chorar desespero, chorar medo, chorar lágrimas salgadas, chorar...

E no meu próximo dia de folga eu queria apenas um dia sem pensar, um dia sem estar em casa, um dia sem celular, um dia de risadas frouxas, um dia de pessoa irresponsável, um dia em frente ao mar, um dia de atenção, um dia de silêncio, apenas um dia...

Pode ser que amanhã esta guerra termine e que tudo volte ao normal ou pode ser que a guerra continue e eu não deseje nem ter um dia.

TPM é assim, a contradição da contradição...vai entender!

sábado, 7 de agosto de 2010

Dia dos Pais

Foto: Carla Palmeira


Deve ser difícil ser pai, digo isso porque pai não tem instinto paternal, ele simplesmente é anunciado que um ser parecido com ele e que carrega o seu DNA está se desenvolvendo no útero da mãe.

A ligação psíquica entre pai e filho não acontece antes do primeiro contato visual, o pai nunca ficará sensível durante a gestação da sua cria, ele poderá ficar mais forte e cometido com a velocidade de chegar em algum lugar, pois agora tem duas pessoas que dependem dele, a criança e a mãe.

Tenho um pai excelente, pois ele me ensinou a realidade nua e crua, senti sua falta durante muito tempo e não o perdoava por isso, mas filhos crescem, viram adultos, amadurecem e constituem família e assim conseguem entender, na verdade nem sempre (risos), mas eu consegui e quando eu o perdoei pela falta de participação em alguns aniversários, pela falta de presença nas minhas quedas, pela falta em casa, pois ficava o dia inteiro no trabalho, pude entender-lo muito mais.

Sinto-me a vontade para conversar algumas coisas que enquanto adolescente eu corria, ouvi várias críticas que para mim eram flechas fincadas no coração, mas era o jeito dele dizer que ainda que eu não mudasse ele continuava me amando, que infelizmente anos mais tarde eu teria que enfrentar críticas maiores de pessoas estranhas e que mesmo assim não seria impedimento para seguir em frente e ele estaria ali, não para dizer a clássica frase: "eu avisei!", mas sim para dizer que iríamos resolver tudo e que agora era a hora de arrumar a casa.

Quando adolescente sentávamos para apreciar os vinhos que ele ganhava ou quando tinha reuniões de família bebericávamos um Whisky, almoços de Domingo no restaurante Porteira e dividíamos a cerveja gelada, gargalhadas até chegar em casa e minha mãe sofria em nossa mão, pois eram horas perturbando ela (risos).

Atualmente ele não bebe, mas apreciamos juntos um bom café ou uma taça de vinho quando resolvo cozinhar um penne ao molho de queijo branco e manjericão.
Assistimos filmes juntos, discutimos as possíveis mensagens subliminares ou se aquela cena poderia ser aplicada em um treinamento de pessoas dentro de uma empresa, se existe líderes e que tipo de liderança...detalhe, não tenho a mesma formação dele, apenas compartilho da sua especialidade.

O que mais gosto de relembrar eram nossas viagens de carro nas férias, eram os passeios matinais com os 3 cachorros, eram as idas para a praia, que nunca chegávamos cedo e minha mãe brigava todos os domingos, lembro minha mãe arrumando a cesta de caranguejo para eu tirar aquele cochilo na barraca de Crispim.

Sei que erramos sempre e assim vem o aprendizado, o arrependimento de não ter feito algo vai aparecer, porque na hora da escolha seguimos o outro caminho, mas mesmo assim aprendemos, colhemos experiência e evitamos cometer os mesmo erros.

Isso tudo, é para dizer que o seu sorriso aquece meu coração, que sua dedicação estabiliza meus pilares e que suas piadas alegram meu dia. Amo você, assim mesmo do jeito que é, porque é meu PAI.

Parabéns pelo dia de amanhã...

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

"Eu tive um sonho, vou te contar..."

Foto: Google imagens


Eu tive um sonho.

Algo estranho e nítido aconteceu esta noite, antes de cair nos braços de Morfeu solicitei as três faces da Deusa mãe que enviasse uma possibilidade de resposta as minhas indagações e assim ela consentiu.

Quando se tem a crença no poder do universo ele sempre irá conspirá ao seu favor. Tento lembrar destas palavras diariamente.

Sonhei com você e há muito não te via em meus sonhos, porém precisava entender os últimos acontecimentos, pode ser premonitório, mas eu o vi.

Sonhei que vocês estavam em um hotel. Sim! Você e sua noiva.
Com o balcão cheio, eu atendia diversas pessoas e quem eu menos esperava, quem eu nunca tive contato, somente visual, esperava-me no canto, educadamente e eufórica me chamava de "Carlinha" e se surpreendia por eu estar prestando atendimento, de repente todos saiam e eu e ela ficávamos frente a frente, ainda frenética ela me pedia desculpa por ter pensamentos ruins, por desejar profundamente tentar me prejudicar e você nisso tudo? Você sumia, calado, cabisbaixo e de olhar envergonhado, como jamais o vira, nem quando éramos um casal. Estranho! Mas só passava de um sonho e inconsciente eu ainda tinha consciência.

Ao acordar, não tive dúvida, hoje seria um bom dia. Peguei o livro de significados dos sonhos e interpretei o recado. Ó Deusa de múltiplas faces, agradeço pela noite de conversas longas, de inconscientes coletivos e de viagens astrais.

Pude compreender a insegurança de um período de transição, pude compreender que a onda positiva está em vibração harmónica ao meu redor e que mesmo que desafine, ainda assim estou no ensaio, porque o espetáculo ainda está por vir.

domingo, 1 de agosto de 2010

Diálogo matinal

Bom dia menina dos olhos negros!

Toda vez que as preocupações insistem em trancar meu sorriso você volta para evitar o possível abandono.

Percebi que somos inseparáveis, que crescer com você torna-se muito mais seguro do que te esquecer, prefiro te assumir porque és o meu complemento, sou perfeita, tenho imperfeições incorrigíveis, tenho pensamentos ruins, tenho desejos maléficos, mas os meus dias bons superam os ruins.

Hoje acordei meio assim assim, como diz uma citação de Pedro Bial: "Tudo pode ser bom, ruim e principalmente assim assim. Tudo ao mesmo tempo ou não, e não necessariamente nessa ordem..."

sábado, 31 de julho de 2010

Composições

Foto: Sonia Nepo

Quando a realidade se distrai, as imagens se compõe, o obturador abre-se e conecta diretamente ao portal da emoção, não importa se inicialmente é simples, é demodê ou preto e branco, cada item é harmonizado, são os detalhes que fazem o todo, sejam eles perfeitos para mim ou imperfeitos para você.
Os pensamentos se esvaem, o estímulo elétrico flui até as pontas dos dedos, os sons ao redor tornam-se sinfonia clássica remetendo a uma euforia contida dentro do corpo, as células sanguíneas se divertem com essa movimentação em cada encontro psíquico e ao olhar para meu reflexo no espelho enxergo tudo diferente.
O fascinante é registrar as situações mesmo fazendo parte delas.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Relatório de viagem

Foto: Google imagens

As aventuras continuam por essa trilha íngreme, o ar continua rarefeito, mas as condições climáticas me afetam menos. O condicionamento físico está sendo trabalhado, os treinos estão cada vez mais intensos e a consequência é se tornar uma maratonista para provas de obstáculos.

Confesso mais uma vez... (já estou acreditando que sou absolvida a cada texto, de tantas confissões) Inicialmente surge a aflição, a cada curva da montanha, descendo ou subindo é uma surpresa quase que previsível, há a descrença no treinador e as dores emocionais calejam, ficam apenas as dores físicas. O que é bom!, pois é a certeza de resistência.

Obstáculo inesperado, mas inicialmente contornado, nada como uma boa equipe para que o competidor se sinta revigorado e acredite no seu potencial.

A trilha está apenas começando e a certeza de ultrapassar a linha de chegada é carregada no órgão vital com toda fé que costumo ter. E para proteger os olhos, o bom e velho óculos de lentes cor de rosa.

Amigos de jornada, nos encontraremos por aí, a chuva vem a óbito no horizonte, os rios estão enchendo e muita água rolará debaixo da ponte.

"Inté!"

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Mãe com açúcar

Foto: Google imagens


Ser mãe é a sublime forma de amar incondicionalmente um ser e saber que o amor consegue crescer na mesma proporção que ele se desenvolve.

E avó?!
Bom, aí a natureza caprichou muito, pegou a mãe e colocou açúcar. O amor incondicional trouxe uma condição, não enxergar os erros dos netos.

No mundo dos avós os netos são reis, as leis não existem, ou melhor, uma lei existe: "faça o que quiser, porque aqui você pode tudo".

Lembro-me quando tinha 5 anos e íamos visitar minha avó, existia um móvel enorme de madeira que cheirava a guloseimas. E aí imagina de quem era a festa?
Bolachinhas de goma, chicletes, chocolates e suco de uva, eu nem precisava falar, parava na porta e fazia aquela carinha do Gato de Botas do filme Shrek.

Atualmente tenho apenas uma avó, uma mulher doce, paciente, guerreira, que pinta seus cabelos, que cheira a colônia de bebê, que acredita na Igreja como instituição religiosa e direciona as suas orações aos filhos, aos netos e bisnetos. Uma criaturinha muito meiga que fica feliz quando nos reunimos na sua casa, chora quando nos preocupamos com ela, sorrir quando eu a encho de dengo.

Confesso! Mãe é bom, mas avó é muito melhor...

Feliz Dia da Vovó!