
Quando começamos a tocar violão os dedos doem, o treino sucessivo faz com que calos apareçam e dessa forma não sentimos mais dor, o resultado é uma música suave, sem intervenção do atrito nas cordas, clara e melódica quando as notas são afinadas.
O calo é uma proteção, ele se forma através de repetidos contatos e pressões, porém com o tempo roubam sua sensibilidade, sendo impossível saborear as sensações. Muitas vezes questionei essa formação de calosidades e por isso parei de tocar violão e nesse tempo permiti sentir e diferenciar o que me agradava e o que desagradava, independente se as notas eram afinadas, se a melodia era clara ou se havia atrito. As vezes, quando há repetições sucessivas na música podemos classificá-las em estilos, seja ele rock, pop, forró, sertanejo, romântico, eletrônico, etc... E é preciso que novas regras surjam e remodelem estilos antigos para que conquistem novos ouvintes, pode ser um arranjo agregado a um texto, pode ser uma voz grave, pode ser uma presença de palco que te chame atenção, pode ser uma atitude ou um olhar.
E os calos?
Eles sempre estarão lá mesmo que não sejam visíveis, cabe a cada um decidir se voltando a tocar o violão te deixará insensível...eu estou voltando e a certeza desse sentimento ainda está por me convencer.
Calos e uma melodia inacabada...



